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domingo, 4 de dezembro de 2011

TEMPO de DEUS, é nossa Responsabilidade estar atento e Perceber o Kairós de Deus Chegando.

 
 Este é o significado de kairós: é um momento decisivo, uma ocasião especial !
Por outro lado, kairós representa aquele momento emocionante quando tudo muda, quando Deus se levanta, e dá ordens que transformam o estagnado em movimento, e que fazem nascer um novo dia e uma nova situação.

O Tempo de Deus – Kairós e Chronos

Por: Christopher Walker

Existem certos momentos eletrizantes na história do plano de Deus que infalivelmente nos inspiram e fascinam cada vez que tornamos a ler o seu relato na Bíblia. Um deles está em Josué 1.

Se você abrir sua Bíblia ao acaso e ler este capítulo sem nenhuma compreensão do seu contexto histórico, encontrará sem dúvida uma grande fonte de inspiração e uma porção de promessas que desejará apropriar para sua vida. Mas terá perdido o grande impacto deste momento na história.

Para senti-lo, você teria de ter lido (ou de ter lembrado) sobre tudo que aconteceu no plano de Deus antes deste momento. Depois que Deus deu a promessa a Abraão sobre a descendência e a terra que seriam seus instrumentos para trazer redenção ao homem e a toda a criação, passaram-se vários séculos. A descendência de fato se multiplicou, mas ficou escrava de um povo estranho no Egito. Moisés foi levantado como instrumento divino para tirar o povo do Egito e da escravidão, e ser o mediador de uma aliança, que viria a tornar-se a base de todas as Escrituras, e do relacionamento entre Deus e seu povo para sempre. Entretanto, a geração que saiu do Egito não creu, e ficou quarenta anos no deserto, até morrer o último homem incrédulo.

É com este pano de fundo (obviamente em muito maiores detalhes), que devemos ler Josué 1. Porque só assim poderemos entender o efeito e a emoção que as palavras de Deus causaram, quando disse: “Levanta-te agora, passa este Jordão…”, e quando deu aquelas tremendas promessas a Josué, tais como: “Todo o lugar que pisar a planta do vosso pé, vo-lo tenho dado”, e: “Ninguém te poderá resistir, todos os dias da tua vida” (Js 1.2-5).

Estas não foram simples promessas que Deus de repente resolveu entregar a Josué, ou ao povo que estava com ele. Foram a consumação de séculos de preparação, dadas no momento certo, para as pessoas certas.

É por não ler a Palavra de Deus no seu devido contexto que muitas vezes a aplicamos de forma errada. Se eu pegasse estas promessas de Josué 1, e começasse a apli- cá-las como eu bem quisesse na minha vida, com certeza entraria em sérios problemas! Pois esta passagem não me concede autoridade para tomar posse de bênçãos da minha própria escolha, nem de me apropriar de qualquer lugar que seja do meu interesse. Deus delimitou claramente para Josué no versículo 4 o território que poderia ser pisado, e sabemos que esta terra simboliza nossa herança em Cristo, não a concretização de sonhos pessoais.

Kairós e Chronos

Mas existe um outro problema na aplicação desta passagem. É compreender exatamente o momento no plano de Deus quando estas promessas foram dadas. Afinal, durante quarenta anos, o povo havia desejado ardentemente ouvir estas palavras, e não as ouviram. Uma vez, inclusive, tentaram subir para a terra sem receber uma ordem de Deus, e foram vergonhosamente derrotados (Números 14.40-45).

Para entender melhor este conceito do tempo de Deus, e como podemos aplicar suas promessas a nossa vida, seria útil examinar duas palavras gregas: kairós e chronos. Assim como a distinção entre as palavras gregas (ágape, phileo, e eros) ajuda a compreender melhor o conceito de “amor”, estas duas palavras nos ajudarão a ver dois aspectos de “tempo” no plano de Deus.

A palavra chronos significa um espaço de tempo ou intervalo, e às vezes é usada para dar a idéia de “demora”. Em contraste, kairós significa uma ocasião especial, um tempo determinado, ou uma oportunidade. Encontramos chronos em textos como Lucas 20.9 (o dono da vinha ausentou-se do país por muito tempo)] João 5.6 (o paralítico que estivera doente havia muito tempo)] Atos 8.11 (Simão, o mágico, desde muito tempo iludira os samaritanos com suas artes); e Atos 13.18 (Deus suportou os costumes do povo de Israel no deserto por espaço de quarenta anos).

Em Atos 17.26-30, podemos ver o contraste dos dois termos. No versículo 26, diz que Deus fez todas as nações para habitarem sobre a terra, determinando-lhes os tempos (kairós) já dantes ordenados. No meio de todo o espaço de tempo que vai passando, existem na história da humanidade como um todo momentos específicos que Deus já predeterminou como épocas especiais,  Este é o significado de kairós: é um momento decisivo, uma ocasião especial, em que grandes coisas podem acontecer.

Já no versículo 30 do mesmo capítulo, lemos que Deus não levou em conta os tempos (chronos) de ignorância, em que os povos não conheciam a verdade. Esta é a idéia de chronos: espaços indeterminados e prolongados de tempo, em que nada de especial ou importante está acontecendo. São os séculos de ignorância antes da vinda de Cristo, os séculos de escravidão no Egito, os períodos de silêncio e apostasia na história, as décadas de andanças sem rumo no deserto, os anos de espera do paralítico à beira do tanque de Betesda, e tantos e tantos períodos na nossa vida em que as promessas de Deus parecem estar longes e inalcançáveis.

Por outro lado, kairós representa aquele momento emocionante quando tudo muda, quando Deus se levanta, e dá ordens que transformam o estagnado em movimento, e que fazem nascer um novo dia e uma nova situação. Isto ocorre na história, como vimos na passagem de Atos 17 citada acima, e que foi exemplificado na época dos descobrimentos na virada do século XV, ou mais recentemente, na queda do muro de Berlim e da potência mundial do comunismo. Mas ocorre especialmente dentro do plano de Deus, conforme visto na Bíblia.

Josué 1 foi um destes momentos kairós no plano de Deus. Moisés completara sua missão, a velha geração incrédula havia morrido, e a hora finalmente estava chegando para entrar na terra. Outro momento foi quando Jesus começou seu ministério anunciando o maior kairós de todos os tempos (até então), dizendo que o tempo (kairós) estava cumprido, e que o reino estava chegando (Mc 1.15). Quantos séculos Deus não havia aguardado em paciência até que chegasse a “plenitude dos tempos”?

O Paradoxo

A pergunta que surge imediatamente, porém, é: Como devemos agir, então? Devemos ser passivos, fatalistas, esperando aquilo que terá mesmo que acontecer, aquilo que já foi predeterminado, e reconhecer que nada podemos fazer para mudar a situação atual, porque ainda não chegou o momento kairós para nós?

Encontramos aqui, como em tantos outros assuntos na Bíblia, um grande paradoxo. Veja o contraste destas duas passagens: “Mas a respeito daquele dia e hora ninguém sabe…. Estai de sobreaviso! Vigiai e orai! Não sabeis quando será o tempo (kairós)” (Marcos 13.32,33; ver também Atos 1.6,7). E por outro lado: “Hipócritas, sabeis interpretar a face da terra e do céu. Como não sabeis então discernir este tempo (kairós)?” (Lucas 12.56).

O que significa? Afinal, podemos ou não podemos saber sobre os momentos kairós de Deus? Não, e sim! Não, para o desejo humano e carnal de saber de antemão exatamente quando as coisas acontecerão, porque assim ficaríamos relaxados e displicentes até a última hora, e só então nos prepararíamos. Sim, porque devemos estar atentos e saber em que tipo de período estamos vivendo. Mesmo que não possamos saber o dia nem a hora, temos a obrigação, segundo Jesus, de discernir os sinais dos tempos.

Na verdade, ele foi duro com seus ouvintes, dizendo que era hipocrisia se acharem tão sábios sobre o que aconteceria no futuro imediato com o clima, e ao mesmo tempo  não saberem nada sobre a época em que viviam. Hoje, com certeza, ele falaria sobre nosso farto conhecimento tecnológico, sobre nossa capacidade de prever com precisão a chegada de cometas e astros celestes, sobre os avanços em medicina, informática, e tantos outros campos, enquanto continuamos tão pobres em saber aonde estamos no plano de Deus, ou que momento kairós está prestes a se manifestar.

Portanto, embora os tempos e épocas pertençam a Deus, e realmente não possamos por nenhum ato da nossa vontade ou impaciência mudar suas determinações, por outro lado existe uma grande responsabilidade humana em estar atento e perceber quando o kairós de Deus está chegando.

Existe uma cena dramática nos evangelhos que ilustra bem este ponto. Jesus estava viajando no final do seu ministério para a cidade de Jerusalém. Se o momento kairós de Josué 1 era dramático por causa de todos aqueles séculos e décadas de espera, imagine esta época da primeira vinda de Jesus, dois mil anos depois do início de Israel com Abraão! Quanta preparação, quantas falhas, quanta paciência de Deus para não desistir, e continuar com seus propósitos! E agora, Jesus sabendo que este mesmo povo iria rejeitá-lo, ao chegar perto de Jerusalém, e já podendo avistá-la, chorou sobre a cidade, dizendo: “Ah, se tu conhecesses, ao menos neste teu dia, o que à tua paz pertence! …. Não deixarão em ti pedra sobre pedra, porque não reconheceste o tempo (kairós) da tua visitação” (Lucas 19.41-44).

Veja, o kairós pode chegar, e nós não participarmos dele. Podemos perder o tempo da visitação de Deus. No lado oposto, podemos até contribuir para que o kairós chegue mais rápido, de acordo com 2 Pedro 3.12. Não podemos explicar exatamente como isto acontece, pois é uma área que pertence exclusivamente a Deus, mas está bem evidente nas Escrituras que muitas etapas no seu plano demoram mais do que realmente é necessário por causa da incredulidade ou desobediência humana. O grande exemplo disto foram os quarenta anos no deserto, que poderiam ter durado apenas um ano aproximadamente (ver Números 13,14). Da mesma forma, se tivermos expectativa e desejarmos ardentemente a sua vinda, conforme Pedro escreve no texto acima, podemos apressar o seu dia.

Tomar Posse ou Esperar em Deus?

Porém, não podemos de forma alguma perder a maior lição deste conceito de kairós, que é da nossa dependência da ação divina, da sua luz verde, e da sua palavra de ordem, para entrarmos de fato no momento de oportunidade e de progresso no plano de Deus para uma vida, uma família, uma igreja, ou uma geração. Jesus certa vez discutiu com seus irmãos exatamente sobre isto. A questão era a Festa dos Tabernáculos, e os irmãos naturais de Jesus, num tom aparentemente de sarcasmo, estavam dizendo que ele deveria subir a Jerusalém para fazer sucesso e se tornar conhecido. Era um momento de oportunidade, e segundo eles, dependia só de Jesus tirar proveito dele. A resposta de Jesus foi sobre a diferença entre seu kairós e o kairós de quem é dono da sua própria vida. “O meu tempo (kairós) ainda não chegou”, ele disse; “o vosso, porém, sempre está pronto” (João 7.1-8).

O mundo nos ensina que precisamos criar nossas próprias oportunidades, e ir atrás de nossos alvos com determinação. As únicas pessoas que não alcançam as portas do sucesso são aquelas que se acomodam com o que têm. Esta mesma filosofia está invadindo a igreja, e seus defensores encontram muitas passagens bíblicas que aparentemente a sustentam. Mas Jesus, o próprio Filho de Deus, não era dono do seu kairós; ele precisava esperar o momento certo, de acordo com a vontade do Pai.

Ele acabou indo àquela festa, mas ocultamente, e somente quando chegou a hora de Deus. Para aqueles que vivem de acordo com princípios naturais, ainda que seja na igreja ou na obra de Deus, o momento de oportunidade sempre existe; é apenas uma questão de “fé”, ou de “tomar posse”. Mas para quem realmente anseia pela vinda do Reino de Deus, existe uma hora, e um momento, no plano de Deus em que as portas se abrem, a ordem é dada, e podemos entrar numa nova etapa e dar um novo passo em direção ao cumprimento final. Se não estivermos vigiando, esperando, e buscando este momento de Deus, ele poderá passar sem o percebermos. E quando o percebermos, precisamos ser corajosos e fortes em Deus para não retrocedermos, mas para confiarmos em todas suas promessas e avançarmos para o seu desafio! Pois este será o momento exato para aplicar as palavras de Josué 1 à nossa vida!








Link: revistaimpacto.com.br

POSTADO por : Hadassa Ben HaShem


domingo, 31 de outubro de 2010

LIGAÇÃO COM SIÃO - um mandamento bíblico

Amnésia Espiritual????

**os crentes devem apoiar Israel em sua luta pela terra? Creio que a mesma pergunta pode ser feita de uma forma um pouquinho diferente: se vivesse na corte persa há 2.500 anos atrás, você estaria do lado de Hamã ou do lado de Ester?**

Quando Abrão obedeceu a Deus e partiu de sua amada terra natal, Deus o guiou a uma nova terra, exatamente como tinha prometido. Logo que Abrão chegou a ela, o Senhor (Yahweh, Javé) lhe apareceu e disse: “Darei à tua descendência esta terra” (Gn 12.7). Desde o momento em que chegou àquele pequeno pedaço de terra às margens do Grande Mar, a identidade de Abrão – bem como a de seus descendentes – ficou ligada àquele lugar.

A promessa daquela terra, feita pelo Senhor em Gênesis 12.7, foi a primeira de muitas. Por várias e várias vezes Ele reiterou Sua promessa de aliança com a nação descendente de Abraão. Por muitas vezes, esses lembretes e reafirmações do relacionamento através da aliança incluíram referências explícitas à terra que Deus havia prometido àquele povo. Somente no livro de Deuteronômio, enquanto o povo estava na divisa da terra, o Senhor lhe lembrou dezoito vezes que a havia prometido a ele. O tema é tão constante que ha-aretz (a terra, em hebraico) é o quarto substantivo mais usado no Antigo Testamento.

Por diversas vezes, inclusive de forma dramática, a promessa foi reiterada. Quando Yahweh firmou a aliança com Abraão, passando em meio aos pedaços de animais sacrificados a fim de estabelecer a inviolabilidade de Suas promessas, a garantia específica foi: “À tua descendência dei esta terra” (Gn 15.18). Mais tarde, falando através de Seu profeta Jeremias, o Senhor insistiu que antes quebraria Sua aliança com relação ao ciclo do dia seguido pela noite, do que Sua promessa de restaurar Israel à sua terra (Jr 33.25-26). Resumindo, a realidade das promessas não pode ser negada. A terra, e tudo o que ela contém, pertence a Yahweh (Sl 24.1), porém, Deus fala de uma forma especial sobre o pequeno Israel: “a terra é minha” (Lv 25.23). Deus é o dono daquela terra, e Ele a deu a Israel. As Suas promessas concedendo aquela terra a Israel são eternas, imutáveis e irrevogáveis (Hb 6.13-18).

Contudo, entre os que crêem na Bíblia há ainda hoje um grande debate sobre a questão se os judeus têm ou não o “direito” a Eretz Israel (a terra de Israel). Lendo as Escrituras, muitos cristãos questionam a afirmação de que Israel tem, de fato, ainda hoje, o direito dado por Deus de possuir a terra que Ele lhe prometeu tantas vezes e tão claramente. Assim, eles também negam que os crentes tenham o dever de apoiar Israel em sua luta. Qual a razão disso?

Acho que existem três explicações possíveis:

Lendo as Escrituras, muitos cristãos questionam a afirmação de que Israel tem, de fato, ainda hoje, o direito dado por Deus de possuir a terra que Ele lhe prometeu tantas vezes e tão claramente.


A primeira é pura e simples negligência. Um número espantoso de filhos de Deus sinceros e nascidos de novo, simplesmente não dá muita importância ao relacionamento atual entre Deus e o Seu povo escolhido. Na verdade, uma das decepções mais lamentáveis e impressionantes quando analisamos a história cristã é constatarmos a capacidade dos crentes do Novo Testamento de esquecer que, espiritualmente, estão sendo levados nos ombros do povo com quem Deus celebrou a aliança – Israel. Essa tendência de amnésia espiritual tornou-se menos expressiva no século passado, devido à grande obra que Deus realizou restaurando Israel à sua terra. Mas, mesmo assim, ainda existem muitos que, ao ponderarem a questão do direito dos judeus ao pequeno pedaço de terra que hoje possuem em parte, não param para considerar as promessas das Escrituras que dizem respeito a esse assunto.

A segunda explicação é “a teologia da substituição”. Ela ensina que “a Igreja tomou o lugar de Israel enquanto nação, como receptora das bênçãos de Deus”, dizendo que “a Igreja cumpriu os termos das alianças feitas com Israel, que os judeus rejeitaram”, e que, portanto, a nação judaica perdeu todo e qualquer direito que possuía com base nas promessas que Deus lhe fizera.[1] Embora este não seja o momento para discutir tal assunto, é suficiente dizer que a teologia da substituição começa onde deveria terminar, e termina onde nunca deveria ter chegado. Isto é, ela começa com o Novo Testamento, insistindo que o Antigo Testamento não tem significado algum, a não ser quando interpretado pelo Novo Testamento. Dizendo que Jesus e os apóstolos são a única fonte confiável da verdade, a teologia da substituição conclui que, se o Novo Testamento [supostamente] mostra que algo no Antigo Testamento não era o que Deus realmente queria dizer, teremos de aceitar que o Novo Testamento pode desmentir o que consta no Antigo Testamento. Por outro lado, a teologia da substituição termina insistindo que as promessas de Deus não são tão confiáveis como aparentam ser. Porém, é melhor deixar que a Bíblia fale por si mesma, tanto no Antigo quanto no Novo Testamento. É melhor reconhecer que Jesus, que é a verdade, não se referiu a Si mesmo como uma fonte de verdade mais segura que as Escrituras. Ele nunca teria ensinado nada contrário às afirmações claras das Escrituras hebraicas que tanto amava. É melhor lembrar que, qualquer que seja a parte das Escrituras que estivermos estudando, Deus espera que relacionemos tudo que Ele revelou no passado e que tratemos essa revelação anterior não como uma massa qualquer a ser moldada da forma que quisermos, mas como palavras do próprio Deus, que têm autoridade e são verdadeiras. As promessas de Deus são verdades eternas. Elas não podem ser adulteradas ou postas em dúvida por nada e por ninguém, muito menos pelas palavras posteriores do mesmo Deus imutável!

A “teologia da substituição” diz que “a Igreja cumpriu os termos das alianças feitas com Israel, que os judeus rejeitaram”, e que, portanto, a nação judaica perdeu todo e qualquer direito que possuía com base nas promessas que Deus lhe fizera.


Mas ainda há uma terceira explicação para o ceticismo de alguns cristãos quanto ao direito dos judeus sobre a terra que Deus lhes prometeu. Eles alegam que a nação de Israel foi posta de lado judicialmente, de forma temporária. Na verdade, Deus não rejeitou permanentemente o Seu povo (Rm 11.1), mas os ramos naturais foram quebrados e um dia eles serão enxertados novamente (Rm 11.19-24). Admitindo o fato de que, no futuro, a nação será restaurada em sua terra, alguns cristãos acreditam, mesmo assim, que o julgamento atual de Israel mostra que os judeus perderam temporariamente seus direitos sobre a terra. Portanto, os crentes não são obrigados a apoiar Israel em sua luta.

Entretanto, essa perspectiva é seriamente equivocada. Ela reconhece corretamente que, de alguma forma profunda, Deus deixou Israel de lado, e que hoje o povo judeu não goza do mesmo relacionamento da aliança que já teve com o Senhor. Além disso, essa posição vê o julgamento de Israel, corretamente, como apenas temporário e, portanto, compartilha da esperança de seu arrependimento nacional e da sua restauração. Ela ignora, contudo, o que a Palavra de Deus diz sobre o relacionamento entre Deus e os judeus durante este período em que Israel está temporariamente cego.

Como devemos compreender o relacionamento atual de Deus com Israel? Na minha opinião, o melhor lugar para se procurar ajuda a respeito desse assunto é o notável e agradável livro de Ester. De fato, sua história é tão encantadora que o foco teológico e histórico central acaba passando despercebido. Esse ponto central fala sobre o assunto de que estamos tratando.

Pense rapidamente sobre a história: Ester, uma jovem judia, foi participar de um concurso de beleza, o que era totalmente inadequado para quem estava proibida de se casar com alguém que não compartilhasse da mesma fé. Se ganhasse o concurso, ela se casaria com o rei e se tornaria rainha da Pérsia. Mordecai, seu primo mais velho e pai adotivo, era um funcionário da corte do rei e aconselhou Ester a manter sua identidade judaica em segredo, para que pudesse sobreviver, caso necessário, no mundo dos gentios. Afinal, essa tinha sido a estratégia do próprio Mordecai. Então, Hamã criou uma trama terrível para matar todos os judeus daquela terra. Quando Mordecai soube a respeito, repentinamente sua herança judaica tornou-se mais importante para ele e o levou a buscar fazer tudo que estivesse ao seu alcance para impedir tal atrocidade. Como Ester estava em uma posição estratégica, eles elaboraram juntos um plano para revelar ao desapercebido soberano a maldade que estava para acontecer no seu reino. O problema é que Ester não se encontrava bem preparada para o papel que teria de desempenhar, e o plano teria realmente fracassado se não fosse por uma série de coincidências absolutamente impressionantes. Por acaso, o rei não conseguiu dormir e mandou chamar seus servos para lerem o livro de registro das crônicas. Por acaso, eles leram um trecho que falava sobre uma ocasião em que Mordecai tinha salvado a vida do rei. Mais tarde, naquela noite, aconteceu que o rei, cujo coração já era favorável a Mordecai e Ester, ficou sabendo do plano maligno de Hamã e que Mordecai e Ester eram judeus. Enraivecido com a atitude de Hamã, o rei ordenou a sua execução. Por coincidência, ele foi enforcado na própria forca que havia mandado construir naquele dia [para matar o judeu Mordecai].

Ester diante de Assuero. Pintura de Nicolas Poussin.


Creio que o Senhor deseja que leiamos o livro de Ester como a representação do grande paradigma do Seu relacionamento com o povo da aliança – e do relacionamento dos judeus com Ele – durante os anos em que estiverem “deserdados” judicialmente da bênção completa dessa aliança. Considere os paralelos: no livro de Ester, os personagens principais são duas pessoas de origem judaica, que haviam abandonado seu relacionamento com Deus e estavam determinados a fazer o possível para ter sucesso no mundo gentio. Mas ainda havia um resquício de judaísmo neles, que se manifestou na determinação em não permitir que o povo judeu fosse destruído.

O paralelismo com a realidade do povo judeu nestes últimos dois mil anos não poderia ser mais exato. Seja por escolha própria ou por coação, os judeus tiveram de conquistar seu espaço em um mundo gentio hostil, e conseguiram mostrar que são muito habilidosos neste aspecto. Durante séculos, uma das ameaças mais constantes para a sobrevivência do povo judeu se encontra dentro deles mesmos: o impulso de assimilação. Mas quando surgia uma ameaça externa, a assimilação era abandonada, o judaísmo era orgulhosamente reafirmado e todas as energias eram direcionadas para libertação do povo de qualquer destruidor.

Agora, voltemos ao livro de Ester. O que nos chama mais a atenção nesse livro? O nome de Deus nunca é mencionado. Isso não foi porque Ele não estava agindo; mas porque se ocultava de todos, menos dos que criam nEle. Na verdade, foi Yahweh que tirou o sono daquele monarca e que guiou as mãos dos servos enquanto desenrolavam os rolos dos registros das crônicas. Resumindo, foi Deus quem libertou os judeus de Hamã, tanto quanto foi Deus quem libertou os judeus de Faraó. No caso de Hamã, contudo, é necessário ter os olhos da fé para ver a mão do Todo-Poderoso em ação.

Apesar de desprezado e perseguido nestes últimos dois mil anos, Israel sobreviveu como um povo. Nos últimos cinqüenta anos, foi vitorioso em três memoráveis guerras e continua a sobreviver como nação.


Voltando para Israel nestes últimos dois mil anos: desprezado e perseguido, apesar disso sobreviveu como um povo. Nos últimos cinqüenta anos, foi vitorioso em três memoráveis guerras e continua a sobreviver como nação. Os não-crentes e céticos atribuem essas vitórias à coragem do povo e à pura sorte; os crentes reconhecem novamente a mão discreta mas poderosa de Deus, que prometeu preservar o Seu povo.

Agora, retornemos à questão inicial: os crentes devem apoiar Israel em sua luta pela terra? Creio que a mesma pergunta pode ser feita de uma forma um pouquinho diferente: se vivesse na corte persa há 2.500 anos atrás, você estaria do lado de Hamã ou do lado de Ester? (Douglas Bookman - Israel My Glory - http://www.beth-shalom.com.br).

Douglas Bookman é palestrante de The Friends of Israel.