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domingo, 4 de dezembro de 2011

TEMPO de DEUS, é nossa Responsabilidade estar atento e Perceber o Kairós de Deus Chegando.

 
 Este é o significado de kairós: é um momento decisivo, uma ocasião especial !
Por outro lado, kairós representa aquele momento emocionante quando tudo muda, quando Deus se levanta, e dá ordens que transformam o estagnado em movimento, e que fazem nascer um novo dia e uma nova situação.

O Tempo de Deus – Kairós e Chronos

Por: Christopher Walker

Existem certos momentos eletrizantes na história do plano de Deus que infalivelmente nos inspiram e fascinam cada vez que tornamos a ler o seu relato na Bíblia. Um deles está em Josué 1.

Se você abrir sua Bíblia ao acaso e ler este capítulo sem nenhuma compreensão do seu contexto histórico, encontrará sem dúvida uma grande fonte de inspiração e uma porção de promessas que desejará apropriar para sua vida. Mas terá perdido o grande impacto deste momento na história.

Para senti-lo, você teria de ter lido (ou de ter lembrado) sobre tudo que aconteceu no plano de Deus antes deste momento. Depois que Deus deu a promessa a Abraão sobre a descendência e a terra que seriam seus instrumentos para trazer redenção ao homem e a toda a criação, passaram-se vários séculos. A descendência de fato se multiplicou, mas ficou escrava de um povo estranho no Egito. Moisés foi levantado como instrumento divino para tirar o povo do Egito e da escravidão, e ser o mediador de uma aliança, que viria a tornar-se a base de todas as Escrituras, e do relacionamento entre Deus e seu povo para sempre. Entretanto, a geração que saiu do Egito não creu, e ficou quarenta anos no deserto, até morrer o último homem incrédulo.

É com este pano de fundo (obviamente em muito maiores detalhes), que devemos ler Josué 1. Porque só assim poderemos entender o efeito e a emoção que as palavras de Deus causaram, quando disse: “Levanta-te agora, passa este Jordão…”, e quando deu aquelas tremendas promessas a Josué, tais como: “Todo o lugar que pisar a planta do vosso pé, vo-lo tenho dado”, e: “Ninguém te poderá resistir, todos os dias da tua vida” (Js 1.2-5).

Estas não foram simples promessas que Deus de repente resolveu entregar a Josué, ou ao povo que estava com ele. Foram a consumação de séculos de preparação, dadas no momento certo, para as pessoas certas.

É por não ler a Palavra de Deus no seu devido contexto que muitas vezes a aplicamos de forma errada. Se eu pegasse estas promessas de Josué 1, e começasse a apli- cá-las como eu bem quisesse na minha vida, com certeza entraria em sérios problemas! Pois esta passagem não me concede autoridade para tomar posse de bênçãos da minha própria escolha, nem de me apropriar de qualquer lugar que seja do meu interesse. Deus delimitou claramente para Josué no versículo 4 o território que poderia ser pisado, e sabemos que esta terra simboliza nossa herança em Cristo, não a concretização de sonhos pessoais.

Kairós e Chronos

Mas existe um outro problema na aplicação desta passagem. É compreender exatamente o momento no plano de Deus quando estas promessas foram dadas. Afinal, durante quarenta anos, o povo havia desejado ardentemente ouvir estas palavras, e não as ouviram. Uma vez, inclusive, tentaram subir para a terra sem receber uma ordem de Deus, e foram vergonhosamente derrotados (Números 14.40-45).

Para entender melhor este conceito do tempo de Deus, e como podemos aplicar suas promessas a nossa vida, seria útil examinar duas palavras gregas: kairós e chronos. Assim como a distinção entre as palavras gregas (ágape, phileo, e eros) ajuda a compreender melhor o conceito de “amor”, estas duas palavras nos ajudarão a ver dois aspectos de “tempo” no plano de Deus.

A palavra chronos significa um espaço de tempo ou intervalo, e às vezes é usada para dar a idéia de “demora”. Em contraste, kairós significa uma ocasião especial, um tempo determinado, ou uma oportunidade. Encontramos chronos em textos como Lucas 20.9 (o dono da vinha ausentou-se do país por muito tempo)] João 5.6 (o paralítico que estivera doente havia muito tempo)] Atos 8.11 (Simão, o mágico, desde muito tempo iludira os samaritanos com suas artes); e Atos 13.18 (Deus suportou os costumes do povo de Israel no deserto por espaço de quarenta anos).

Em Atos 17.26-30, podemos ver o contraste dos dois termos. No versículo 26, diz que Deus fez todas as nações para habitarem sobre a terra, determinando-lhes os tempos (kairós) já dantes ordenados. No meio de todo o espaço de tempo que vai passando, existem na história da humanidade como um todo momentos específicos que Deus já predeterminou como épocas especiais,  Este é o significado de kairós: é um momento decisivo, uma ocasião especial, em que grandes coisas podem acontecer.

Já no versículo 30 do mesmo capítulo, lemos que Deus não levou em conta os tempos (chronos) de ignorância, em que os povos não conheciam a verdade. Esta é a idéia de chronos: espaços indeterminados e prolongados de tempo, em que nada de especial ou importante está acontecendo. São os séculos de ignorância antes da vinda de Cristo, os séculos de escravidão no Egito, os períodos de silêncio e apostasia na história, as décadas de andanças sem rumo no deserto, os anos de espera do paralítico à beira do tanque de Betesda, e tantos e tantos períodos na nossa vida em que as promessas de Deus parecem estar longes e inalcançáveis.

Por outro lado, kairós representa aquele momento emocionante quando tudo muda, quando Deus se levanta, e dá ordens que transformam o estagnado em movimento, e que fazem nascer um novo dia e uma nova situação. Isto ocorre na história, como vimos na passagem de Atos 17 citada acima, e que foi exemplificado na época dos descobrimentos na virada do século XV, ou mais recentemente, na queda do muro de Berlim e da potência mundial do comunismo. Mas ocorre especialmente dentro do plano de Deus, conforme visto na Bíblia.

Josué 1 foi um destes momentos kairós no plano de Deus. Moisés completara sua missão, a velha geração incrédula havia morrido, e a hora finalmente estava chegando para entrar na terra. Outro momento foi quando Jesus começou seu ministério anunciando o maior kairós de todos os tempos (até então), dizendo que o tempo (kairós) estava cumprido, e que o reino estava chegando (Mc 1.15). Quantos séculos Deus não havia aguardado em paciência até que chegasse a “plenitude dos tempos”?

O Paradoxo

A pergunta que surge imediatamente, porém, é: Como devemos agir, então? Devemos ser passivos, fatalistas, esperando aquilo que terá mesmo que acontecer, aquilo que já foi predeterminado, e reconhecer que nada podemos fazer para mudar a situação atual, porque ainda não chegou o momento kairós para nós?

Encontramos aqui, como em tantos outros assuntos na Bíblia, um grande paradoxo. Veja o contraste destas duas passagens: “Mas a respeito daquele dia e hora ninguém sabe…. Estai de sobreaviso! Vigiai e orai! Não sabeis quando será o tempo (kairós)” (Marcos 13.32,33; ver também Atos 1.6,7). E por outro lado: “Hipócritas, sabeis interpretar a face da terra e do céu. Como não sabeis então discernir este tempo (kairós)?” (Lucas 12.56).

O que significa? Afinal, podemos ou não podemos saber sobre os momentos kairós de Deus? Não, e sim! Não, para o desejo humano e carnal de saber de antemão exatamente quando as coisas acontecerão, porque assim ficaríamos relaxados e displicentes até a última hora, e só então nos prepararíamos. Sim, porque devemos estar atentos e saber em que tipo de período estamos vivendo. Mesmo que não possamos saber o dia nem a hora, temos a obrigação, segundo Jesus, de discernir os sinais dos tempos.

Na verdade, ele foi duro com seus ouvintes, dizendo que era hipocrisia se acharem tão sábios sobre o que aconteceria no futuro imediato com o clima, e ao mesmo tempo  não saberem nada sobre a época em que viviam. Hoje, com certeza, ele falaria sobre nosso farto conhecimento tecnológico, sobre nossa capacidade de prever com precisão a chegada de cometas e astros celestes, sobre os avanços em medicina, informática, e tantos outros campos, enquanto continuamos tão pobres em saber aonde estamos no plano de Deus, ou que momento kairós está prestes a se manifestar.

Portanto, embora os tempos e épocas pertençam a Deus, e realmente não possamos por nenhum ato da nossa vontade ou impaciência mudar suas determinações, por outro lado existe uma grande responsabilidade humana em estar atento e perceber quando o kairós de Deus está chegando.

Existe uma cena dramática nos evangelhos que ilustra bem este ponto. Jesus estava viajando no final do seu ministério para a cidade de Jerusalém. Se o momento kairós de Josué 1 era dramático por causa de todos aqueles séculos e décadas de espera, imagine esta época da primeira vinda de Jesus, dois mil anos depois do início de Israel com Abraão! Quanta preparação, quantas falhas, quanta paciência de Deus para não desistir, e continuar com seus propósitos! E agora, Jesus sabendo que este mesmo povo iria rejeitá-lo, ao chegar perto de Jerusalém, e já podendo avistá-la, chorou sobre a cidade, dizendo: “Ah, se tu conhecesses, ao menos neste teu dia, o que à tua paz pertence! …. Não deixarão em ti pedra sobre pedra, porque não reconheceste o tempo (kairós) da tua visitação” (Lucas 19.41-44).

Veja, o kairós pode chegar, e nós não participarmos dele. Podemos perder o tempo da visitação de Deus. No lado oposto, podemos até contribuir para que o kairós chegue mais rápido, de acordo com 2 Pedro 3.12. Não podemos explicar exatamente como isto acontece, pois é uma área que pertence exclusivamente a Deus, mas está bem evidente nas Escrituras que muitas etapas no seu plano demoram mais do que realmente é necessário por causa da incredulidade ou desobediência humana. O grande exemplo disto foram os quarenta anos no deserto, que poderiam ter durado apenas um ano aproximadamente (ver Números 13,14). Da mesma forma, se tivermos expectativa e desejarmos ardentemente a sua vinda, conforme Pedro escreve no texto acima, podemos apressar o seu dia.

Tomar Posse ou Esperar em Deus?

Porém, não podemos de forma alguma perder a maior lição deste conceito de kairós, que é da nossa dependência da ação divina, da sua luz verde, e da sua palavra de ordem, para entrarmos de fato no momento de oportunidade e de progresso no plano de Deus para uma vida, uma família, uma igreja, ou uma geração. Jesus certa vez discutiu com seus irmãos exatamente sobre isto. A questão era a Festa dos Tabernáculos, e os irmãos naturais de Jesus, num tom aparentemente de sarcasmo, estavam dizendo que ele deveria subir a Jerusalém para fazer sucesso e se tornar conhecido. Era um momento de oportunidade, e segundo eles, dependia só de Jesus tirar proveito dele. A resposta de Jesus foi sobre a diferença entre seu kairós e o kairós de quem é dono da sua própria vida. “O meu tempo (kairós) ainda não chegou”, ele disse; “o vosso, porém, sempre está pronto” (João 7.1-8).

O mundo nos ensina que precisamos criar nossas próprias oportunidades, e ir atrás de nossos alvos com determinação. As únicas pessoas que não alcançam as portas do sucesso são aquelas que se acomodam com o que têm. Esta mesma filosofia está invadindo a igreja, e seus defensores encontram muitas passagens bíblicas que aparentemente a sustentam. Mas Jesus, o próprio Filho de Deus, não era dono do seu kairós; ele precisava esperar o momento certo, de acordo com a vontade do Pai.

Ele acabou indo àquela festa, mas ocultamente, e somente quando chegou a hora de Deus. Para aqueles que vivem de acordo com princípios naturais, ainda que seja na igreja ou na obra de Deus, o momento de oportunidade sempre existe; é apenas uma questão de “fé”, ou de “tomar posse”. Mas para quem realmente anseia pela vinda do Reino de Deus, existe uma hora, e um momento, no plano de Deus em que as portas se abrem, a ordem é dada, e podemos entrar numa nova etapa e dar um novo passo em direção ao cumprimento final. Se não estivermos vigiando, esperando, e buscando este momento de Deus, ele poderá passar sem o percebermos. E quando o percebermos, precisamos ser corajosos e fortes em Deus para não retrocedermos, mas para confiarmos em todas suas promessas e avançarmos para o seu desafio! Pois este será o momento exato para aplicar as palavras de Josué 1 à nossa vida!








Link: revistaimpacto.com.br

POSTADO por : Hadassa Ben HaShem


sábado, 10 de abril de 2010

Discernindo os tempos e seguindo a visão de Deus-Vivemos um momento histórico onde precisamos de “filhos de Issacar” em nosso meio

O abismo que hoje separa aquilo que cremos daquilo que fazemos não tem raíz no Cristianismo bíblico.

Os filhos de Issacar e nosso novo Milênio
Discernindo os tempos e seguindo a visão de Deus


Há um provérbio Gonja, tribo no oeste africano, o qual diz que “os cachorros de ontem não conseguem caçar os coelhos de hoje” mostrando que novos problemas demandam novas abordagens e concluindo simplesmente que os coelhos de hoje são mais espertos do que os de ontem.

Em 1 Cronicas 12 encontramos Davi prestes a ser coroado Rei em Hebrom “segundo a palavra do Senhor”. A partir do verso 24 lemos uma longa lista de clãs e famílias que subiram para a peleja em cumprimento da visão de Deus entretanto no verso 32 quando falava-se sobre “os filhos de Issacar” o Espírito Santo decidiu imprimir ali duas expressões de impacto sobre aquele clã quando afirmou que:

“Dos filhos de Issacar, conhecedores da época, para saberem o que Israel devia fazer, duzentos chefes, e todos os seus irmãos sob suas ordens”.

A expressão “conhecedores da época” pode ser literalmente traduzida por “estudiosos dos fatos” ou ainda “conhecedores da história e suas implicações”. O texto portanto fala sobre homens que eram informados, atualizados, que possuíam percepção do que acontecia ao seu redor.

A Segunda expressão de impacto sobre estes “filhos de Issacar” é justamente “...para saberem o que Israel devia fazer”, ou seja, com “discernimento” sobre que caminho tomar.

Todas as famílias e clãs ali listados caminhavam juntos com o alvo de coroar a Davi entretanto havia entre eles homens que iam além da dinâmica da massa: que estudavam a história, que discutiam sobre as implicações dos fatos, que se atualizavam a cada dia, que provavam cada informação e buscavam discernimento do Alto sobre o que fazer. Eles eram estudiosos entretanto também piedosos; acadêmicos, mas orientados pelo Espírito; usavam o intelecto mas queriam ouvir a voz de Deus.

Nesta virada de milênio a Igreja é confrontada pelo pós modernismo que cultua os resultados e despreza os valores tentando ensinar nossos pastores que “importa crescer – não importa como”; somos desafiados pela filosofia da intolerância social na Igreja que leva-nos a crer que temos sempre mais diferenças do que pontos em comum com o outro grupo o qual, paradoxalmente, segue ao mesmo Senhor que servimos e estará conosco na eternidade; somos ensinados que “o novo é sempre melhor” desencadeando uma corrida pelos ventos de novidades e doutrinas mesmo sabendo que o evangelho é antigo, os profetas viveram na antiquidade e a própria Igreja neotestamentária já conta com 2.000 anos de história.

Vivemos um momento histórico onde precisamos de “filhos de Issacar” em nosso meio. Homens que olhem além do horizonte, que estudem a época e a história ao mesmo tempo em que se submetam a Deus, que usem ao máximo o raciocício e conhecimento acumulados em nossa teologia mas também busquem ao Senhor com toda a força de suas almas; que vivam no século 21 com sua nova tecnologia e comunicação disponíveis mas não abram mão daquele momento em que o Espírito diz “este é o caminho, andai por ele”.

Tendo isto em mente olhemos para a nossa corrente história e vejamos alguns pontos de tensão em nosso Cristianismo na era pós moderna sobre os quais precisamos clamar por discernimento dos céus.

1. A carnal tendência humana de esquecer que Deus é maior do que nós

“Glorificar a Deus” ao longo dos séculos passou a ser mais uma expressão cristã do que uma prática de vida. Lembro-me que, após expor Romanos 16 para um grupo de líderes evangélicos em uma aldeia africana, um deles concluiu: “sim, então podemos dizer que glorificar a Deus é reconhecer que Ele é maior do que nós”. Creio que haviam entendido boa parte da mensagem.

Hoje tendemos a esquecer que Deus é maior do que o homem, que a glória de Deus importa mais do que a nossa glória, que o Senhor é soberano e nós dependentes da Sua graça.

Alguns teólogos do século 19 olhavam para a vida de Jesus e pensavam: Ele fracassou.
Olhem bem para os seus discípulos, seus amigos do peito. Ele não foi capaz de evitar-lhes a dor, a perseguição ou o sofrimento. Nem mesmo para os 12, os mais chegados. Passaram por açoites, foram perseguidos e traídos. Caíram enfermos e alguns foram martirizados. George Strauss, no fim do século 19, zombava dizendo: “Ele não tinha poder. Seus amigos morreram sós, traídos e em sofrimento. Morreram sem glória”. Strauss, apesar de irônico, liberal e distante da verdade, acertava em sua última afirmação: “Morreram sem glória”. Mas morreram para a glória de Deus.

A primeira Missão da Igreja não é proclamar o evangelho, não é se expandir nem mesmo conquistar a mídia ou impactar a sociedade. A primeira Missão da Igreja é morrer. Perder os valores da carne e ser revestida com os valores de Deus. É se “desglorificar” para glorificar ao seu Deus.

Quando perguntaram a George Müller sobre o segredo do seu sucesso ministerial, a sua resposta imediata foi: “O segredo de George Müller é que George Müller morreu já há alguns anos atrás”. É preciso reafirmar nesta virada de milênio o motivo da nossa existência: a glória de Jesus, Senhor da Igreja.

É tempo de reconhecer que Deus é maior do que nós.

2. O desenvolvimento de uma personalidade não funcional na Igreja de Cristo

Cirenius, teólogo bizantino, afirmou que “a Igreja sofrera a tentação de desenvolver a sua personalidade e perder a sua finalidade. À imagem do primeiro homem, a Igreja também peca quando esquece o porquê está aqui e imagina ser suficiente apenas o existir. Torna-se assim tal qual uma linda rosa vermelha... a qual nasce, cresce, murcha e morre em um campo distante sem por ninguém ser vista, sem a nenhum olhar dar prazer”.

A carta à Igreja de Laodicéia no capítulo 3 de Apocalipse mostra-nos com realismo uma cobrança de funcionalidade. O texto fala sobre a possibilidade de uma Igreja ser quente, fria ou morna e erroneamente tem sido visto ao longo de anos como uma simples apresentação de três diferentes níveis de espiritualidade. Se o analisarmos cuidadosamente, entretanto, veremos que o assunto tratado é a funcionalidade da Igreja, o que ela faz baseado em quem ela reconhece ser.

Esta carta começa afirmando “conheço as tuas obras” (3:15) onde a expressão ‘erga’ (obra) aponta para a vida normal da Igreja, não necessariamente as suas realizações. Creio que Jesus afirmava aqui o completo conhecimento – de grandes e pequenas coisas – que Ele possui sobre a comunidade dos santos.

“Que não és quente nem frio. Quem dera fosses quente ou frio...” é basicamente uma afirmação de desejo. O Senhor Jesus afirmando à Igreja em Laodicéia que desejava que fossem quentes ou frios. Não há indícios para crermos que fosse uma expressão de ironia mas sim um desejo sincero de vê-los tanto quentes quanto frios. Para entendermos esta afirmação precisamos lembrar que Laodicéia localizava-se entre duas grandes e conhecidas outras cidades na região. Hierápolis e Colossos.

Hierápolis era conhecida em toda a região por suas fontes de águas frias. Uma espécie de Oásis no verão para onde as multidões afluíam. Segundo o historiador T. Orgeon, à entrada da cidade havia uma inscrição com os dizeres: “Lugar de Refrigério”.

Colossos era ainda mais conhecida pelas suas fontes de águas quentes, sobre as quais dizia-se possuírem poderes medicinais e terapêuticos usadas por pessoas com problemas ósseos, reumáticos, respiratórios e tantos outros. Um lugar para cura e terapia do corpo.

Quando o Senhor afirmou à igreja: “que nem és quente nem frio” creio que a figura das águas quentes e frias de Colossos e Hierápolis fora usada e assim poderíamos parafrasear: Que nem possuis função de causar refrigério às vidas que os procuram como as águas frias de Hierápolis; como também perdestes a função terapêutica de alívio aos aflitos à semelhança das águas quentes de Colossos. Como sois mornos (e águas moras não possuem função) estou a ponto de vomitar-te da minha boca.

Vivenciamos hoje a atual tendência da errática cristã a qual tenta incluir-se nas bênçãos do evangelho e auto excluir-se de sua prática: a anti-bíblica vontade de ver a terra arada sem por as mãos no arado.

É tempo de trabalhar, enquanto é dia.

3. A procura por uma Igreja kerygmática mas também martírica

Há dois termos largamente usados no livro de Atos que retratam o caráter cristão: proclamação e testemunho. O termo grego para ‘proclamação’ é ‘Kerygma’: a forma estratégica e inteligível de comunicar a mensagem do evangelho. É a Igreja se preparando, estudando e analisando as possibilidades de comunicar o evangelho a um grupo, seja uma pessoa, família ou povo. Isto é Kerygma.

‘Martíria’ é o termo grego para ‘testemunho’ e sempre está ligado ao Kerygma. Entretanto ‘Martiria’ não é uma proclamação inteligível e estratégica como encontro de casais, acampamentos evangelisticos, evangelismo explosivo ou células familiares. Martiria é testemunho de vida, a personalidade transformada pelo Senhor. É domínio próprio em casa, ser justo com os empregados, ser brando no falar. É ser a imagem de Jesus.

A Igreja em Atos foi chamada para ser primeiramente Martírica – viver com fidelidade tudo aquilo que crê - e só então assumir uma postura Kerygmática.

Atos 1:1 inicia enfatizando “... o que Jesus começou a fazer e a ensinar...” onde ‘Erzato... poien’ (começou a fazer) é uma sentença também encontrada nas “Narrações de Vitórias” de Blass quando fala de um general grego o qual, tendo encerrado com impactante vitória uma campanha armada contra a cidade de Temas, envia um arauto à aldeia vizinha preanunciando que ela seria a próxima a ser conquistada. A força desta expressão (começou a fazer) mostra que a campanha continua, que a força é a mesma, que o cansaço não impede que tudo seja feito novamente e quem sabe ainda mais. Aponta para Jesus o qual, após nascer, viver, morrer e ressuscitar no Evangelho segundo Lucas, continua a agir em Atos com a mesma força e autoridade. É o Senhor presente que preanuncia: Eu continuo a fazer.

Entretanto a expressão ‘te kai’ (e) intermedia os verbos principais do versículo 1: “fazer e ensinar” e faz com que a posição destes dois termos não seja mudada. Ramsay crê que a posição dos verbos (fazer vindo antes de ensinar) é uma estrutura emítica onde o contrário seria danoso ao texto. Sendo assim podemos ver que Lucas estabelece um modelo ao redor da pessoa de Jesus mostrando que Ele primeiramente ‘fazia’ antes de ‘ensinar’, que sua vida precedia sua doutrina, que seu caráter homologava sua teologia. Lucas utiliza ‘didaskein” (ensinar) para introduzir a pessoa do ‘didaskalos’, (mestre) mostrando que o abismo que hoje separa aquilo que cremos daquilo que fazemos não tem raíz no Cristianismo bíblico. Precisamos viver de acordo com aquilo que crê o nosso coração.

É tempo de buscar uma Igreja kerygmática em sua missiologia e martírica em seu caráter.


Conclusão

Talvez o grande desafio da igreja de Cristo neste começo de milênio seja expressar uma vida compatível com a sua fé: a busca pelo Cristianismo genuíno e sincero ensinado por Jesus. Uma Igreja onde o líder cristão não domina o seu rebanho, antes o serve; onde o perseguido não odeia seu perseguidor, antes intercede por ele; onde o menor é o maior, morrer é um ganho, só se torna forte os que reconhecem a fraqueza, anda-se duas milhas com quem te obriga a andar uma, vira-se a outra face a quem te fere, não há apego a este mundo pois todos são peregrinos, a garantia é uma promessa e só se alcança a vida quem primeiro morre.

E para caminharmos nos passos de Jesus nestes novos tempos é preciso olhar para todos os lados, como filhos de Issacar, conhecendo as épocas e pedindo discernimento dos céus a fim de morrermos sem glória, para a glória de Deus.

Postado por: Daniela Porchat Schlabitz
Vice-Presidente / Brasil
The 24 Hours World Prayer Command Center for the Peace of Israel
http://www.prayforthepeaceofisrael.org/
daniela4israel@yahoo.com.br

Fonte: http://www.ronaldo.lidorio.com.br