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domingo, 14 de agosto de 2011

Desenvolvimento Sustentável do Espírito - Por: Harold Walker


SUSTENTABILIDADE

Por: Harold Walker
Enquanto a humanidade, de forma global, começa a cumprir a profecia de Jesus (“Os homens desfalecerão de terror, e pela expectação das coisas que sobrevirão ao mundo…” - Lc 21.26), e cenas apocalípticas surgem na área financeira (“Ai! Ai da grande cidade… [Nova York, Londres, Paris, Tóquio, Hong Kong, São Paulo etc.] porque numa só hora foram assoladas tantas riquezas [Trilhões de dólares evaporaram das Bolsas em todo o mundo em poucas horas!]” – Ap 18.16,17), que tipo de atitude devemos ter diante do início de um novo ano, o ano de 2009?
Deus prometeu abalar tudo o que pudesse ser abalado (Hb 12.26-29). Portanto não devemos dar ouvidos às vozes que querem nos consolar dizendo que a situação não vai se agravar. Tempestades negras estão se avolumando no horizonte, e somente aqueles que tiverem firmes alicerces na Rocha eterna conseguirão permanecer firmes, inabaláveis.
“Passará o céu e a terra, mas as minhas palavras jamais passarão” (Mt 24.35). “Ora, o mundo passa, e a sua concupiscência; mas aquele que faz a vontade de Deus permanece para sempre” (1 Jo 2.17). Assim como Abraão, que tomava uma providência prioritária em todo lugar onde acampava – edificava um altar ao Senhor para não perder a comunicação com o quartel-general –, nós também precisamos ter a prioridade máxima de estabelecer vias de comunicação com Deus. Somente aqueles que ouvem e obedecem à voz de Deus suportarão, firmes, as provações que virão sobre o mundo.

Dê atenção ao seu espírito
Recentemente, durante um período de comunhão, um irmão comentou que precisamos conhecer melhor nosso espírito. Conhecemos muito bem as necessidades, as dores e os desejos do corpo e convivemos constantemente com os sentimentos, as motivações e as reflexões da alma – mas quantos conhecem a voz do próprio espírito? Por ser algo mais invisível e intangível, muitas vezes o espírito também passa a ser inaudível. Na conferência a três, as vozes estridentes do corpo e da alma fazem calar o sussurro do espírito. Até mesmo na criação dos filhos, tomamos o máximo de cuidado com o corpo, correndo para o hospital ao menor sinal de problema, e com o desenvolvimento intelectual e emocional da alma, colocando-os nas melhores escolas e cursos, enquanto a nutrição e o crescimento do espírito costumam ser deixados em último plano.
Nestes dias de crescente e justificável preocupação ecológica, tem-se popularizado muito o uso do termo “desenvolvimento sustentável”. Para aqueles que não estão tão antenados com a preservação do planeta, é uma expressão que descreve a estratégia que visa conciliar a produtividade econômica com a conservação do meio ambiente. Por exemplo, em vez de desmatar indiscriminadamente a floresta para plantar soja ou milho, a sugestão é desenvolver culturas que produzam alimento no meio das árvores. Dessa forma, haveria sustento para as populações necessitadas, e o meio ambiente também seria respeitado.
Quando meu amigo falou sobre a necessidade de cultivarmos melhor a vida espiritual, essa expressão ecológica logo me veio à mente. Muitas pessoas pensam que é impossível desenvolver uma vida espiritual em meio à correria e às pressões do dia-a-dia de uma grande cidade em pleno século 21. Elas acham que, se alguém deseja realmente tornar-se “espiritual”, é necessário retirar-se das grandes cidades para um lugar bem quieto no interior, parar de estudar e trabalhar secularmente e dedicar-se por completo ao estudo da Bíblia e à oração e ao jejum. Seria a mesma atitude de um ativista ecológico radical que prefere preservar o mico-leão-dourado a matar a fome de centenas de seres humanos. Já os capitalistas selvagens querem destruir o planeta para produzir mais riquezas. No nível espiritual, correspondem aos cristãos contemporâneos, para os quais basta freqüentar as reuniões das igrejas aos domingos a fim de garantir a salvação – enquanto continuam na mesma correria desenfreada dos não-cristãos atrás de dinheiro e diversão ao longo da semana.
Penso que, assim como o “desenvolvimento sustentável” procura uma terceira via entre os dois extremos na esfera ambiental, o “desenvolvimento sustentável do espírito” apresenta um terceiro caminho para trilharmos na vida espiritual. Não precisamos ser reclusos superespirituais, mas também não precisamos ser cristãos materialistas. Como diz Henri Nouwen no livro Espaço para Deus (um livro que, mais do que qualquer outro, tem exercido grande impacto sobre a minha vida):
Jesus não reage ao nosso estilo de vida cheio de preocupação dizendo que não deveríamos estar tão ocupados com afazeres terrenos… Nem sugere que nos afastemos de nossos envolvimentos para viver vidas calmas, tranqüilas e retiradas das lutas do mundo… Jesus não quer de forma alguma que deixemos nosso mundo de muitas facetas. Antes, quer que vivamos nele, mas firmemente arraigados no centro de todas as coisas. Jesus não fala sobre uma mudança de atividades, uma mudança de contatos, ou até uma mudança de ritmo. Ele fala sobre uma mudança de coração (cap. 2, págs. 16 e 17).
Essa mudança de centro começa com a conversão, mas continua com a manutenção de um espaço e de um tempo exclusivos para Deus na rotina diária. Assim como reservamos certo tempo para higiene e alimentação e gastamos horas voltadas ao intelecto e ao lazer, também precisamos dedicar tempo para desenvolver o espírito a fim de afinar os ouvidos e ouvir a voz de Deus. Aliás, essa deveria ser a atividade mais importante de nossa vida. Somente depois de cuidar disso é que se deve dar atenção às outras necessidades. Desenvolvimento sustentável do espírito significa poder ouvir e obedecer à voz de Deus sem abandonar as outras atividades naturais. No meio da floresta de atividades seculares, é possível desenvolver uma plantação produtiva de paz, alegria, amor e tantos outros frutos do Espírito.

O segredo da espiritualidade
Ficamos muito admirados com as grandes vitórias e testemunhos dos heróis da fé. Contudo, se olharmos atentamente para a fonte de seus sucessos, sempre encontraremos a prática do devocional, que consiste no tempo passado na presença do Senhor em oração e meditação na Palavra. Podemos pensar em Daniel, fortemente pressionado pelas necessidades do dia-a-dia administrativo de um grande império. Qual era o segredo de sua força? Diariamente, mesmo longe de sua terra e sem templo ou altar, ele entrava “em sua casa, no seu quarto em cima, onde estavam abertas as janelas que davam para o lado de Jerusalém; e três vezes no dia se punha de joelhos e orava, e dava graças diante do seu Deus” (Dn 6.10).

E quanto a Jesus, o Filho de Deus, a Palavra encarnada? Certamente, ele não tinha necessidade dessa disciplina de oração diária! Será que não tinha uma “linha direta” com o céu que o liberasse de uma disciplina tão “humana”? Entretanto, não é o que se vê, muitas vezes, nos evangelhos: “De madrugada, ainda bem escuro, levantou-se, saiu e foi a um lugar deserto, e ali orava” (Mc 1.35).

Não é possível viver a vida cristã sem contato diário com Deus. Assim como um destacamento do exército não precisa só de armas e munição mas, em primeiro lugar, de radiocomunicação com o quartel-general para não correr o perigo de atacar os próprios companheiros por engano ou se distanciar demais dos outros destacamentos, nós também não podemos saber como agir em meio ao tiroteio do dia-a-dia sem as orientações precisas do nosso Comandante Supremo. O único motivo por que geralmente não temos tal hábito e não encontramos tempo ou força de vontade para manter essa disciplina é a maldita autoconfiança. Pensamos que podemos nos virar bem com a própria experiência, sabedoria e estratégias. Por isso, apenas quando as coisas começam a sair do controle, e entramos em pânico, achamos o tempo e o desespero para orar e clamar por socorro. Confiamos nos recursos da alma e perdemos a chance de viver no Espírito.

Para enfrentar os dias escuros que virão, precisaremos de muito mais do que os recursos da alma. Não teremos condições de discernir o espírito de engano que vem sobre a Terra se o nosso espírito não estiver bem afinado com o Espírito Santo, o Espírito da verdade. Não conseguiremos resistir às tentações sem a graça diária proveniente da leitura da Palavra e da oração. Não saberemos como trabalhar, onde morar, que decisões tomar sem as sábias orientações do Consolador. A melhor estratégia que você pode adotar para o ano de 2009 é levantar um altar diário de comunhão com Deus. Muitas vezes, você não ouvirá a voz de Deus, mas o fato de erguer o altar e oferecer um sacrifício diário tornará seu espírito disponível para Deus, manterá as vias de comunicação abertas e permitirá que seus pés fiquem firmes sobre a rocha mesmo em meio à tempestade.

A pergunta-chave da entrevista final
Nesse contexto, quero destacar uma dica indispensável. Qualquer pessoa séria que deseja desenvolver um hábito saudável ou desvencilhar-se de um vício ou hábito nocivo sabe que precisa de um grupo de apoio. Para isso, existem os Vigilantes do Peso, os Alcoólatras Anônimos etc. Nesse caso também, é de suma importância que tal pessoa procure outros irmãos e amigos que sintam a mesma dificuldade e, assim, possam ajudá-la a manter-se firme na disciplina. Essa deveria ser a função primordial da igreja! Infelizmente, a maioria das igrejas não exerce tal função hoje. Geralmente, nutrem a mentalidade de que basta ser fiel nas reuniões. Porém, quando chegarmos à presença de Deus, ele não nos perguntará em quantas reuniões estivemos ou quantas vezes oramos e lemos a Bíblia. Ele estará interessado em uma única coisa: se nos conhece, e se nós o conhecemos.
Nas parábolas de Jesus sobre os momentos dramáticos da entrevista final que decidirá nosso destino eterno, quando ele despacha alguém, sempre diz: “Nunca vos conheci; apartai-vos de mim…” (Mt 7.21-23; Mt 25.12; Jo 17.3). Deus só se interessa em que as pessoas o conheçam e andem com ele. No fim, nosso “eletrocardiograma” dirá se passamos os dias ouvindo a voz de Deus e lhe obedecendo ou se seguimos os próprios desejos. Portanto, a igreja deveria ser o grupo de apoio que ajuda, incentiva, exorta e repreende até que todos comecem a encontrar-se com Deus individualmente e realmente conhecê-lo.
Deus não receberá manadas no último dia. Ele desejará ver-nos face a face, pessoalmente. E a questão fundamental, o divisor de águas, será se ele nos conhece ou não, se andamos com ele ou não, se nossa vida foi compartilhada com ele ou não.
Portanto, diante do exposto, o que você me diz? Quais são os planos para 2009? Quais são seus temores e medos? Quais são seus sonhos e anseios? Quais são suas expectativas? Você está no centro da vontade de Deus para sua vida? Está ouvindo a voz de Deus com instruções personalizadas? Está obedecendo às ordens de Deus? Você tem-se encontrado com Deus? Sente alegria, ânimo, paz e graça da parte de Deus energizando seu dia-a-dia? Você tem irmãos e amigos com quem compartilha derrotas e vitórias e que lhe desafiam a andar mais perto de Jesus? Se suas respostas não lhe trazem satisfação, preste atenção aos seguintes versículos:
“Pelo que eu vos digo: Pedi, e dar-se-vos-á; buscai, e achareis; batei, e abrir-se-vos-á; pois todo o que pede, recebe; e quem busca, acha; e ao que bate, abrir-se-lhe-á” (Lc 11.9,10).
“Mas buscai primeiro o seu reino e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas” (Mt 6.33).
“Portanto, vede diligentemente como andais, não como néscios, mas como sábios, usando bem cada oportunidade, porquanto os dias são maus. Por isso, não sejais insensatos, mas entendei qual seja a vontade do Senhor” (Ef 5.15-17)

Postado por: Hadassa Ben HaShem 
Hadassa diz:
UM GRUPO DE APOIO!  É DE SUMA IMPORTÂNCIA QUE PROCUREMOS OUTROS IRMÃOS e AMIGOS que sintam a mesma dificuldade e, assim AJUDARMOS MUTUAMENTE a mater-nos FIRMES na DISCIPLINA.
=> Pergunta que não quer calar : Quem aqui possue um grupo ou 1 irmão(a) para receber e dar SUSTENTABILIDADE espiritual ????

SEMPRE busquei um irmãozinho(a) para isto no corpo , nunca alcancei esta GRAÇA MARAVILHOSA, quisá um GRUPO.  WOW!!!  Isto sim seria um MILAGRE para mim.
S.O.S = Alguém está afim de SUSTENTAR e ser SUSTENTADO nesta DISCIPLINA que gera VIDA de Deus??? Eu preciso.

 

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

OLHAR E VER PESSOAS!

Por Suzana Walker

***“Desde o dia que ela foi lá em casa, Abubacar tomou banho todos os dias e até penteia o cabelo! É possível o coração mudar!”

Pobreza Urbana e Abubacar***

Faz tempo que só penso em escrever, mas nunca realmente venho no meu blog e concretizo o pensamento, mas hoje foi um dia bem interessante, então não posso deixar de escrever.


Os planos de hoje começaram na semana passada... na verdade foi bem antes disso...


Para quem já viveu em Inhaminga, o "meio do mato", onde quando não chove 70% da população passa fome, pobreza não deveria ser novidade. Mas o impacto que a pobreza urbana tem sobre meu coração atinge dimensões tão grandes que ele fica bem apertado, quase querendo sumir dentro de mim. É certo que o povo das zonas rurais trabalha duro, anda longas distâncias, passa necessidades, tem uma vida sofrida. Mas tem algo sobre "o mato" que é sempre reconfortante para mim... não sei se é a linda natureza ao redor, se é o senso de família e comunidade que ainda existe... ou talvez seja somente a ausência de montes de lixo! Acho que é isso!

Os aglomerados das cidades, o barulho, a falta de privacidade, os maus cheiros, o lixo por toda parte, a falta de segurança... sempre me fizeram querer distância delas.


Quando Deus me trouxe para Nacala, meu maior conforto era que a escola ficava 7km da cidade e no campus à beira do mar, ainda podemos ter aquele gostinho de "no meio do mato", ou fora da "civilização".


Mas a necessidade sempre nos levam prá dentro, pro centro, pra o meio daquela muvuca toda! O que fazer? Cada vez que vamos é o mesmo confronto... crianças pedindo, crianças guiando cegos pedindo, velhos pedindo, velhos cegos pedindo!

No início você não sabe o que fazer. Às vezes dá, às vezes não! Quando dá se sente mal pois sabe que não é de uma moeda que aquela pessoa precisa. Quando não dá, se sente pior pensando se aquela pessoa chegará a comer naquele dia! Não tem como acertar!


Aos poucos você descobre que se der para um, logo uma multidão te persegue, como abutres sobre uma carcaça parecem pensar: "Carne nova no pedaço, vamos aproveitar!"

Nesse ponto você já está perdendo a paciência, porque no meio dos pedintes, há sempre os ladrões e, mesmo os que não são, serão se você bobear por um segundo. Você para de dar por completo. Você descobre que se for bem estúpido com todos, nunca der nada a ninguém, aos poucos você é menos importunado, consegue fazer suas coisas com mais rapidez. Mas algo mais acontece: você deixa de enxergar pessoas, passa a ver vultos, números, obstáculos... tudo, menos pessoas.


Então um dia você acorda e descobre que mesmo que tenha chegado àquele lugar para ajudar as pessoas, seu coração já está duro como pedra e sua atitude não está ajudando ninguém.


Mas então? O que fazer?

Eu pessoalmente passei por cada uma dessas fases. Por fim entendi que tenho que estar atenta ao Espírito Santo. Não tenho obrigação de dar nada a ninguém, mas também não sou proibida. Devo ouvir aquele sussurro dentro de mim, prestar atenção para onde está apontando e acima de tudo, acima de qualquer outra coisa: OLHAR E VER PESSOAS!


Quando isso aconteceu, eu não mais via ladrões e pedintes. Eu passei a olhar profundamente e ver quem estava à minha frente. Isso mudou tudo...

Passei a ver os velhos, que realmente não tem como trabalhar. Jesus falou que os pobres sempre teríamos conosco... esses velhos são essa classe de pobres!

E passei a ver as crianças... os adolescentes! Eles estão por todas as partes da cidade. Os pequenos fazendo carinha de fome, pedindo uma moeda, querendo olhar o carro, ou limpar seu vidro com um pano sujo.

Aos poucos eles deixaram de ser apenas “crianças” para mim... passaram a ser: Abubacar, Cinaro, Sanito. Cada um com seu sorriso, sua personalidade própria, seu pedido, sua história (cheia de mentiras, na maioria das vezes).


Abubacar foi o que mais me conquistou. Ele tem mais ou menos 9 anos, é muito esperto e sempre corre quando vê meu carro. Deixei ele vigiar meu carro algumas vezes e sempre o encontrei de volta quietinho, olhando para o carro. Ele perguntava meu nome, onde eu morava, se podia ir comigo. Eu sempre esquinava e fazia as mesmas perguntas de volta para ele. Ele me falava que não tinha pai, não tinha mãe... eu sabia que não era verdade.


Aos poucos, mais do que apenas ver, eu passei a me preocupar, realmente me importar. Qual seria o futuro dele? O que ele vai se tornar, vivendo assim na rua? Um bandido, como tantos outros que já existem? As perspectivas não são boas para o lado dele... sem estudo, sem uma habilidade... sem emprego, sem dinheiro! Mesmo como bandido, a concorrência é bem grande em Nacala!

Passei a procurar por ele e levar ele comigo, onde eu fosse “para vigiar meu carro”. Nos intervalos entre uma loja e outra, eu perguntava mais coisas e tentava descobrir qualquer resposta verdadeira.


Por fim, esse ano, decidi tomar um passo a frente. Mas primeiro, calculei o custo.

Tantos precisam de ajuda... mas ainda assim, poucos realmente tomam a mão estendida e realmente a usam para o bem, para sair do lodo e mudar de vida. Mas se não começarmos com um, se não acreditarmos em ninguém... que diferença faremos?

Pesei na balança e decidi seguir em frente.


Combinei com Abubacar de visitar sua casa algum dia. Até aí, ele já tinha reconhecido ter uma mãe com quem morava. Não deu certo o dia que combinamos e, segundo ele, ele ficou toda manhã esperando e pensando: “Essa senhora não está bem, falou que vinha e não veio!” Outro dia procuramos por ele em toda cidade e nem sinal!


Sexta passada, eu ia com Rito (um dos professores) conhecer algumas escolas para ele decidir onde ia estudar no ano que vem... e encontrei Cinaro (outro menino de rua). Visitei a família dele, descobri que tem pai, mãe e 4 irmãos. O pai é bem simples e sem estudo. Vivem no mais baixo da pobreza urbana que descrevi acima... é de doer o coração.


Na mesma manhã, encontrei Abubacar na rua de novo. Ele me levou para conhecer sua casa. É vizinho de Cinaro! Sua mãe reclamou comigo que ele não se comporta, não ajuda muito em casa e sempre foge prá cidade. Às vezes traz algumas moedas para ajudar em casa, mas nunca é muito. Não toma banho. Dei-lhe uma bronca. J


Nenhum deles vai à escola (Cinaro e seus 2 irmãos com idade de estudar e Abubacar). Ninguém tem documento, nunca foram matriculados... mas a escola está a menos de um minuto andando da casa deles! Combinamos de nos encontrar na escola essa semana para irmos juntos ao registro fazer os documentos.


Chego na escola essa manhã... Abubacar vem reclamando na minha direção: “Eu fiquei a procurar... onde está essa senhora?”, mas o sorriso radiante me mostra que ele não está nem um pouco chateado. Encontro sua mãe, também pronta prá ir para o registro. A outra família é um pouco mais complicada, mas reunimos todos e lá vamos nós para o registro.


Enquanto ando nesse bairro, em meio a picadas de areia, cheeeeias de lixo, olho ao redor e penso: “No Brasil, eu estaria preocupada de entrar num bairro assim de carro. Ficaria vigiando para ver se não deparava com traficantes, ou coisa do tipo. Aqui, estou num bairro normal. Há casas grandes, feitas de cimento com telhados de chapa... isso é classe média. É verdade, há casinhas bem pequenas e ‘marfanhadas’, mas não dá medo!”


Nada dá certo no registro PORQUE NENHUM DOS PAIS TEM DOCUMENTO!!! Que situação bizarra! Mas é a realidade daqui! Lá vamos nós tentar providenciar documentos para os pais, para que os filhos possam tirar os seus e então estudar no ano que vem!Mas o que fez meu dia foi a mãe de Abubacar encorajando a mãe de Cinaro quando alguém diz que os filhos dela, mesmo que matriculados vão fugir da escola: “Desde o dia que ela foi lá em casa, Abubacar tomou banho todos os dias e até penteia o cabelo! É possível o coração mudar!”


Quero ser guiada por Seu Espírito, Senhor!

Quero vê-los como Tu vês!

Quero seguir os passos de Jesus

E amá-los com Teu amor!

Quero que eles saibam que Tu os amas,

Quero ver seus futuros transformados!

Sei que em mim não tenho poder,

Mas Tu és Aquele que transformas corações!

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Postado por Dani Porchat Schlabitz